Nasci em São Paulo SP, 1966, e desde 1970 vivo em São José dos Campos SP. As lembranças mais remotas que tenho são de aparelhos de televisão, de toca-discos e de toca-fitas, das ações de desenhar, de ver e ler livros de arte e de escutar música. Nunca joguei uma partida de futebol. Aos 11 anos, comecei a frequentar um ateliê de artes e recebi treinamento acadêmico em desenho e pintura por 2 anos. Na mesma época, estudei piano sem muito interesse, travei contato com o punk inglês e com colegas mais velhos que militavam no movimento estudantil secundarista em organizações trotskistas. Passei por uma apendicectomia em 1979. Nos primeiros anos da década de 1980, estudei sem querer em uma então prestigiada escola técnica, período em que me refugiei na poesia marginal, na arte-grafite e no universo do pós-punk britânico. Dediquei tanto tempo à vida noturna no underground paulistano quanto aos grupos de discussão e ação relativos a praticamente todos os setores sociais então excluídos das políticas públicas e das mentes enquadradas pelo status quo. Entre 1985 e 1989, trabalhei como desenhista industrial em uma fábrica, onde pesquisei em paralelo e em particular as possibilidades do xerox, da heliografia e da datilografia na minha produção visual e literária. Neste período, fiz uma série de gravações de áudio caseiras usando samplers primitivos, integrei grupos fadados ao fracasso dentro do espectro estreito da música pop no Brasil e distribuí fanzines nas esquinas e praças do centro paulistano. Comecei a estudar História em 1988 e, de 1989 a 1993, trabalhei como professor do ensino fundamental ao superior. Entre 1993 a 1998, atuei como historiador junto ao poder público municipal. Simultaneamente, ao longo destes 10 anos, mantive uma carreira como DJ e investiguei as possibilidades gráficas digitais. Abandonei a área da História após intensa perseguição política e desde então me dedico sobretudo ao campo das artes. Durante anos, orientei práticas de ateliê tradicionais como a arte cerâmica, pesquisei a imagem digital não-fotográfica e, em longa parceria informal com a artista japonesa Reiko Shimizu, participei de ações em arte-performance e estudei a poética da cerimônia japonesa do chá e do butô. Nunca recebi prêmios, fiz a primeira individual apenas em 2008 no Dconcept Escritório de Arte e, junto a esta galeria, participei de edições da SP/Arte e da P/Arte e de várias coletivas. Frequentei oficialmente disciplinas de estética e de mídias na pós-graduação do Instituto de Artes da Unicamp, mas não segui a via acadêmica. Não por acaso sou leitor assíduo de Vilém Flusser, Walter Benjamin, Roland Barthes e Susan Sontag. Meus trabalhos mais recentes foram a colaboração para um ensaio do fotógrafo Gal Oppido e a experimentação com web-rádio/podcast. Atualmente, me dedico a pesquisas privadas no campo da áudio-arte, do texto e dos materiais fronteiriços.